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domingo, 9 de agosto de 2009

Nem Santa Paciência.




Engraçado o efeito que a igreja tem nas pessoas. E eu vou logo pedindo desculpas para aqueles que se ofendem facilmente com generalizações.


Mas ô povo pra eu ter abuso é rato de igreja! Sei não, pra mim é um povo burro, vai ali todo domingo (tem uns que vão até mais!), escutam o sermão do padre, voltam pra casa e não conseguem aplicar isso na pratica!


Quer prova? Todo domingo tem engarrafamento em frente a igreja! E sabe o pq do engarrafamento? Os rezadores ficam parados no meio da rua com os seus carrões esperando que Deus ache uma vaga boa pra eles...sim, pq só serve se for boa! E os outros pobres coitados, que não tem a menor intenção de ir a missa precisam ficar 30 minutos parados esperando que os acéfalos rezadores se convençam que Deus tem mais o que fazer! Se é que Deus existe!


E eu digo logo, principalmente pros que leram e se ofenderam! Não adianta ir pra missa todo domingo. Vocês vão todos pro inferno serem enrabados pelo demônio! É! Respeitar as pessoas no trânsito conta como respeito ao próximo, se uma pessoa não tem consciência disso, ir pro inferno é o mínimo que ela merece.
















sábado, 18 de abril de 2009

A fé do Seu Luiz

Uma coisa sobre mim: eu sou possivel concludente de direito. É importante saber que eu sou concludente pq nos últimos semestres a gente é obrigado a estagiar no núcleo da defensoria pública. E levando em consideração os últimos acontecimentos e o meu zero número de páginas escritas da monografia é bem possivel que eu não me forme.

Sexta é um desses dias que você vai pro estágio so pra bater ponto mesmo. Poxa, sexta é dia de farra universitária, tudo que você quer é arrumar o cabelo, colocar um vestido bonitinho e sair por ai com uma cerveja na mão. Não existe espaço pra ficar ouvindo os problemas juridicos das pessoas!

E assim foi, eu chego la na sexta so com a cara, pq a coragem tava em casa se preparando pra beber todas, me esparramo em uma cadeira qualquer e fico mirando o corredor, torcendo pra que não venha aquela funcionária uniformizada com uma pasta na mão anunciando o início de um final de semana recheado com o problema dos outros.

Se tem uma coisa que eu aprendi é que torcer não adianta absolutamente nada! A funcionária chegou e com ela uma pasta endereçada pra mim.

Lógicamente eu vou correndo atender o assistido. Além de ser chato deixar as pessoas esperando quanto mais eu enrolo mais distante da minha sonhada cerveja eu fico.

Você anda por todo o corredor, cruza várias portinhas e encontra uma multidão de pessoas sentadas, todas comportadas esperando pelos santos estagiários que deverão resolver os seus problemas, enquanto os estagiários rezam para que os problemas das pessoas não possam ser resolvido por eles. Foi ai que eu vi o Seu Luiz, rapaz baixinho, meio manco, com poucos dentes na boca e uma biblia na mão. Eu olho pra pasta e vejo a etiqueta "requerimento administrativo". Normalmente "requerimento administrativo" quer dizer "a moça da recepção não conseguiu identificar o seu motivo para estar aqui".

Sento na cabine com o Seu Luiz, que imediatamente abre a Biblia e começa a falar sobre o Senhor.
Depois de uns 10 minutos de atendimento eu entendo que aquele senhor procurou um escritório de prática juridica pra expulsar os vizinhos de casa. Sim, os vizinhos do Seu Luiz, de acordo com ele mesmo, não eram pessoas de Deus, não seguiam a palavra do Senhor, batiam o tapete onde ele tinha escrito o nome de Jesus e ainda reclamavam dos cachorros que ele criava!

Imaginem como é ouvir tal narração com uma riqueza de detalhes indescritível e não poder rir! São coisas que você até sabe que existem mas pensa que jamais vai ver de perto.

A fé, literalmente, aliena as pessoas!

Imagine você sair da sua casa e procurar um advogado pra tentar expulsar um cidadão que pagou pela sua residência simplesmente pq ele não é devoto do Senhor!

Depois de explicar pro Seu Luiz que, juridicamente, ele não poderia fazer nada contra o vizinho a gente começou a conversar amenidades enquanto eu resolvia a parte burocrática necessária pra pedir arquivamento da pasta.
Durantes os 20 minutos seguintes ele me contou que era divorciado e tinha duas filhas, uma de 16 e outra de 17 anos e que a mais velha estava noiva:

- Noiva, Seu Luiz! Mas ela é muito nova!
- É... mas se Deus quis assim...
- E ela mora com a mãe dela?
- Nããão... ela ta morando lá perto do noivo.
- Ela ta morando na casa dele? *COMO ASSIM? DEUS PERMITE?*
- É... não...hm... é... não sei, né... pode até ser... do jeito que Deus quiser...
- Hm... Mas o senhor não sente ciumes nem acha ruim não?
- Eu não fia, quando ela chegou lá com ele eu abri a palavra do Senhor pra eles e deu tudo certo.
- Literalmente, né... a palavra do senhor que sair na hora...
- É que esses jovens gostam das coisas suaves.
(...)

Figura meu assistido Luiz! Salvou minha sexta tediosa no estágio, me deu uma história pra contar e ainda solidificou meus ideais ateus!